Sobre o ensino e a cidadania

“Muda” não apenas nomeou nosso documentário, como também representa fielmente as transformações que nosso tema enfrentou durante o ano.
Nosso projeto inicial, como relatado em nossos primeiros posts do blog, eram voltados estritamente ao encontro do jovem paulista com a política, e de como isso se ligaria com o futuro e com a própria cidade de São Paulo. Naquele momento, estávamos focando em um recorte que exploraria os impactos de adolescentes exercendo sua plena cidadania e os impactos diretos dessa ação.
Mesmo que nosso tema tenha se metamorfizado para a presença de jovens em Etecs e a educação na cidade de São Paulo, a conexão entre as temáticas se mostra bem forte, e é isso que desenvolverei neste post.
A educação é, por essência, o que permite o desenvolvimento de uma sociedade e impede a sua estagnação. Esse modelo de estudo acadêmico é, talvez, um dos únicos espaços em que de fato exista diálogo -ou, pelo menos, oportunidade para se estabelecer um- em um contexto de medo, isolamento e falta de conexão com “o outro”.
O cenário político brasileiro atual, comumente atribuído à polarização extrema, demonstra eficientemente a falta de capacidade que temos em escutar um terceiro e estabelecer um debate sem receios, de uma maneira democrática e até mesmo civil, podendo relacionar-se ao “homem cordial” (conceito desenvolvido por Sérgio Buarque de Holanda em seu livro “Raízes do Brasil”), isto é, movido pelas suas paixões, sejam elas relacionadas ao amor ou ao ódio.
Isso pode ser visto nas redes sociais com frequência, já que posts polêmicos circulam sem a iniciativa de geral discussões horizontais, mas sim para incomodar e até mesmo ferir aqueles que discordam de um determinado posicionamento.
Logo, desvalorizar a educação teria como fruto a falta de um modelo de diálogo fundamental para o desenvolvimento de cidadãos plenos. Não é à toa que nossas entrevistadas explicitaram inúmeras vezes que julgam que seus colegas de classe não estão preparados para tomar conta do espaço da metrópole, justamente pelo ensino defasado que lhes é oferecido. Elas demarcam claramente que a responsável pelo entendimento do cenário atual pela classe é Luana, fora da sala de aula, momento -contraditoriamente- propício para se ensinar algo.
Assim, apontam-se os impactos estruturais decorrentes de um governo pouco atento no que se diz respeito do ensino, desenvolvidos em nosso mini documentário. É a partir desse cenário que podemos entender as raizes desta falta de educação política, que de acordo com nosso mini doc, ainda teremos que lidar no que está por vir.

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